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Fim

Se for compartilhar, ressalte o nome do autor: Alexandre Tavares Sergio

Queria poder sorrir nos dias acinzentados que se seguem
Incessantemente ardendo em colunas estacadas em meu corpo
Imóvel figura sem cor, empalidecida ao extremo
Sem o sangue que correria nas veias que saltam da carne...
Os anos se passaram deslizantes como areia entre meus dedos
Vivi e senti a vida se tornando ingrata por ser vivida
E amada, exaltando em atos insanos da loucura sóbria
Que meus pés emanavam ao dançar os passos que aprendiam...
Na infância ida a descoberta era a companheira constante
Da aventura e da alegria de brinquedos diferentes
Surgindo livremente com fluência perfeita
Das fontes claras e limpas de pura imaginação...
Mas dos brinquedos de esconder e de correr e de saltar
Me restam as marcas, minha pele esbranquiçada
Já sem forma, um contorno irregular e cadavérico
Sem a vitalidade que a inconsciência me tomou...
A semente rompe a terra em busca do sol que a aquece
E à terra que a alimenta como mãe e protetora
E me vi crescendo, erguendo os braços fortes
Obedecendo sem mais aos instintos que fluíam em busca do calor...
As mulheres, todas sempre tão lindas
As vestia mentalmente em trajes brancos e suas auras
Brilhavam azuis, algumas fortes e poderosas
Intensificando no amor que me brotava pelos poros...
Eu as sentia e me entregava sem desconfianças
E sofri ao amar e ser amado com total liberdade
Nos jogos do amor bem feito, de volta à vida alegre das noites
Entre as lembranças espalhadas pela memória
Que se enfraquece a cada vez que aspiro o ar que já me falta...
Na bebida da roda de amigos fiéis e felizes
Via as imagens se formarem no mundo que girava a minha volta
E enegrecia no segundo seguinte em meio a estrondosas gargalhadas
Ao ir ao solo no baque surdo de uma alma desgastada...
Hoje o que tenho é um quarto escuro e úmido
E à luz de uma solitária vela em seu final
Observo os imperceptíveis movimentos das sombras negras
De meu passado projetado nas paredes...
Fui criança e me fiz homem aprendendo apenas a fugir
Dos laços firmes que a responsabilidade impõe
Àquelas pobres pessoas em seu ir e vir pelas ruas repletas
De seres normais mortos em seu cotidiano...
Essa gente pensa que viver é se lamentar
E chora suas mágoas com uma constância extrema
E só se ri ao ver que o fim que se faz próximo
É um descanso eterno em um céu claro nas nuvens que lhes pertencem...
Vivi, amei, sofri, chorei mas me alegrei e me sorri
Sempre de pé e adiante num bar ou outro
Um bom conhaque, uma mulher carinhosa,
O amor da vida que recebi num abraço forte...
Hoje me vou e me entristeço com os olhos tremidos
E as lágrimas molham o travesseiro que desaparece
E se transforma em algo claro e bem macio
Branco no azul que me rodeia intenso...
E aqui estou jovem e forte novamente
Pele morena, mãos firmes e seguras
Para viver tão aborrecidamente
Minha imortalidade nesta nuvem de algodão...