Alfazema
Alexandre Tavares Sergio
É cheiro de infância
De manga no pé
Laranja da terra
E goiabas sem bicho.
É pitanga azeda
A jaca no chão
Areia molhada
No quintal dos fundos.
É bola na rua
Pés no asfalto
A pipa cortada
Balão japonês.
O pião roda solto
Chapinhas na pista
Riscada à calçada
Em tijolo vermelho.
Os carrinhos descendo
A ladeira do lado
Sem rumo e com pressa
Sorrindo aos capotes.
Cachorros latindo
Os carros passando
O gato que pula
O muro vizinho.
As rosas abertas
As folhas de louro
O pinheiro alto
À frente de tudo.
Mas ao fechar o frasco
Se vão as lembranças
Mostrando que tudo
Não passou de sonho.
Os dias se foram
Tranquilos, alegres,
Levando com eles
A cor dessa vida.
Só resta a rotina
A garrafa vazia
O olhar perturbado
Nas noites sem fim.
Então outro bar
Depois outra festa
Esperança líquida
Em dezenas de copos.
O terno amassado
O dinheiro pouco
O bêbado trôpego
Caminhando sem rumo.
E ao chegar a manhã
Novamente a sarjeta
O corpo surrado
Jogado ao chão
Com o perfume no bolso
O rosto molhado
A alma afligida
E a existência findando.