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A solução|Audacioso|Ausência|Desejo|Fim|O pacote|Quarta|Sofreguidão|

Audacioso

Se for compartilhar, ressalte o nome do autor: Alexandre Tavares Sergio

Como havia chegado àquele ponto? Essa era a pergunta que não saia de sua mente desde que chegara ao quarto e a encontrara coberta pelo fino lençol macio.

Pensara muito antes de se posicionar na beira da cama e tremia as mãos tentando encontrar o caminho certo para o primeiro contato. Foram anos de espera até aquele momento e não podia falhar com um início atabalhoado, demonstrando seu nervosismo. Precisava ser perfeito.

Olhou para o tecido e fixou o olhar no leve movimento, provocado pelo vento fraco, visitante pela janela aberta. Havia um pouco de frio no ar, ideal para a aproximação tão sonhada e desejada. Começaria logo pela área um pouco mais saliente, acima do nível da cama. Estava decidido.

Esfregou um pouco as mãos para gerar o calor necessário ao toque, evitando sobressaltos pela diferença de temperatura entre seu corpo e a tão sonhada silhueta. Escorregou seus dedos pelo monte, protuberante nos lugares certos, sentindo o estremecer almejado. Funcionara.

Agindo de forma mais ousada, pousou a palma da mão direita na lateral da presença enquanto seguia com os movimentos da esquerda, aumentando devagar o ritmo, no compasso agitado da necessidade, seguindo horizontalmente as linhas tão bem definidas até o limite superior da coberta.

Sem parar para pensar, desnudou-a de uma só vez, louco para ver, explorar com os olhos o que há muito desejava possuir. Linda, totalmente à vontade e entregue, sob a luz da manhã. Não havia como ser errado aquele sentimento que fluía de seu corpo, intumescido na proporção exata, entorpecido pela paixão.

Sem se preocupar com culpas ou neuroses eventuais, ligadas aos padrões críticos e distorcidos da sociedade, beirando a irresponsabilidade, envolveu-a com um abraço completo, sincero e profundo, exprimindo toda a sua entrega àquela que nunca deveria ter se mantido tão distante.

Eram um só.

Insurgindo contra o impulso de não separar as duas partes agora unidas, levou os dedos à exploração máxima, tocando cada contorno, ponto, curva, linha, percorrendo rotas virgens, aproveitando o instante.

Sentia como se lhe faltassem forças para prosseguir, para respirar, raciocinar. Lágrimas brotavam de seus olhos, tornando muito difícil se desvencilhar daquela aproximação. Apertou-se ainda mais, incontrolavelmente utilizando a energia que lhe restava, pressionando aquele ponto específico e mágico...

Ainda sôfrego, ouviu o rugir do motor elétrico, despertando ao som das palavras tão esperadas: audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve!

E se tornou, definitivamente, o dono da espaçonave Enterprise, modelo 1701-E, com luzes e sons digitais.