Desde antes das festas do final de 2009 eu havia determinado que minha primeira postagem de 2010 seria realmente especial. Não havia pensado em um tema específico, ou mesmo imaginado qualquer linha de raciocínio que fosse me levar a escrever algumas palavras para o site; apenas dei como certo que teria de existir um conteúdo que definitivamente mostrasse minhas vontade e determinação em continuar presente na Internet como um ser relevante.
Nesses últimos dias, ainda submerso em sentimentos intensos e muitas vezes opostos trazidos ao cotidiano pela chegada de um novo ano, não pensei seriamente no assunto. Somente hoje, dentro de um ônibus praticamente vazio, indo trabalhar, sufocado e enjoado por um calor infernal, ao ler as linhas do prefácio de um livro que inicia uma coleção de 7 volumes, me dei conta do que deveria escrever.
Como o autor declarava, eu também não tenho mais 19 anos. Minha ações acarretam reações não só em minha vida mas também nas vidas de todos aqueles que de alguma forma dependem de mim. Meu cabelo se foi, a barriga aumentou consideravelmente de tamanho, meu corpo se cansa mais facilmente, minha audição está, cada vez mais, prejudicada. Não posso mais vagar a esmo pelas ruas com um copo na mão e a cabeça cheia de idéias que nunca porei em um papel. Não tenho mais como me dar o luxo de imaginar que um dia serei um grande escritor e que todos lerão com prazer minhas obras, mesmo as mais obscuras. Meu subjetivismo de poeta procura por palavras rebuscadas e só encontra neologismos baratos ou sílabas unidas sem sentido. Sou apenas uma sombra do que fui aos meus, não 19, bem vividos 16 anos.
Os anos passaram, como este último que se foi, levando o viço, boas idéias, muita coragem, todo orgulho, alguma esperança.
A triste e dura verdade que me bate com toda força nesse 2010 que chega ribombando renovação é que, sem sombra de dúvidas, envelheci e, ao final dos meus 38 anos, após tantos percalços, alguns extremamente sérios, continuo seguindo ainda sem rumo, mas consciente do papel que assumi pelo menos perante aqueles que me cercam.
Tenho uma família que me ama, tenho amigos que me amam, tenho animais de estimação que me amam...
Então, se não sou o profissional que gostaria de ser, o escritor que um dia sonhei que seria, o idealista realizado moldando o mundo à sua maneira de pensar, o poeta de si mesmo vendo o leitor como um mero acessório descartável à sua obra, o devorador de livros consumindo palavras como o ar que respiro, que a vida que levei até agora, sem nenhuma daquelas restrições "semântico-sociais" vá, com toda sua pompa, à Merda! Com um "M" para lá de maiúsculo!
Não tenho mais 16, ou 19, e daqui a pouco nem 38 terei mais, mas nem por isso vou entregar meus sonhos, minha vida e as esperanças daqueles que me acompanham para serem consumidos pelo tempo que já passou e que nunca irá retornar! Vou seguir daqui para frente, olhos abertos, cabeça erguida, pensamentos no futuro que ainda está em formação!
Vou escrever, trabalhar, sorrir, chorar, amar muito, beber mais, xingar quando me aprouver e todos os que me criticarem mandar seguir o rumo que dei para a vida nas linhas acima!
Sou humano.
Sou falho.
Mas sou feliz sendo assim.
Um feliz 2010 para todos vocês, do jeito que vocês quiserem que ele seja!